Em Flórida, comerciante transforma carinho por animais em rotina de cuidado
Todos os dias, no fim da tarde, uma cena já faz parte da rotina em frente à Casa de Carnes Santo Antonio, em Flórida. Por volta das 17h30 e 18h, os “fregueses” começam a chegar. Não são clientes à procura de carne ou produtos da mercearia, mas cães de rua que aprenderam que naquele endereço encontram alimento, água e, principalmente, cuidado.
À frente do estabelecimento há 22 anos, o comerciante Antonio Carlos Laroca, 56 anos, mantém uma relação de carinho com os animais que circulam pelas proximidades. Ele conta que alguns chegam pela manhã, mas é no final do dia que o movimento aumenta. Ao todo, entre 10 e 12 cães costumam aparecer em busca da refeição.
“Tenho dó, são todos animais de rua”, relata Antonio, que aproveita restos de carnes e ossos, além de ração, para alimentar os animais. Segundo ele, os cães já conhecem a rotina e chegam praticamente no mesmo horário todos os dias.
O cuidado, porém, vai muito além da alimentação. Antonio também deixa potes com água para os animais e, quando algum apresenta problemas com carrapatos, compra medicamentos para ajudá-los. Durante os períodos de frio, coloca tapetes para que tenham um local mais confortável para se acomodar.
Um dos cães, inclusive, já adotou como abrigo uma caixa de papelão colocada em frente à casa de carnes. Acostumado com o local, ele costuma permanecer por ali. Alguns dos animais também ganharam nomes, como Caramelo e Neguinho, mostrando que, com o tempo, a convivência acabou criando laços de amizade entre o comerciante e seus visitantes de quatro patas.
A rotina não muda nem mesmo aos domingos, quando a Casa de Carnes Santo Antonio permanece fechada. Antonio faz questão de ir até o estabelecimento pela manhã e novamente à tarde para alimentar os animais.
“Isso é gratificante, eu gosto de cuidar deles”, afirma.
Ele conta que algumas pessoas criticam a atitude ao vê-lo alimentando os cães, mas diz que não se deixa levar pelos comentários. Para ele, o que importa é saber que está fazendo a sua parte por animais que não têm um lar.
“Para mim é satisfatório”, resume.
A história de Antonio mostra que pequenos gestos, quando realizados diariamente, podem fazer diferença. Entre carnes, ossos, ração, potes de água e um pouco de abrigo, os cães encontraram naquele endereço um lugar onde são reconhecidos, esperados e tratados com carinho.
