Adoção: um gesto de amor que transformou uma família em Santa Fé
Thairine Bráz conta sua história de fé, espera e descobertas na chegada dos filhos Yasmin Gabriele e Pedro Henrique
A maternidade nem sempre começa com uma gestação. Para algumas famílias, ela nasce de um sonho, de uma decisão e de uma longa caminhada de amor e esperança. Foi assim com Thairine Bráz, moradora de Santa Fé, que encontrou na adoção o caminho para realizar o desejo de ser mãe.
Administradora, consultora imobiliária e mãe por adoção de duas crianças, Yasmin Gabriele e Pedro Henrique, Thairine compartilhou sua história recentemente em uma entrevista exclusiva concedida à Rádio Desterro FM 106,5, no Podcast Fale Aqui. O tema, segundo ela, é um assunto que gosta de falar porque representa uma das maiores transformações de sua vida.
“Ser mãe é um aprendizado constante”, afirmou.
Thairine acredita que sua história foi preparada por Deus muito antes de chegar às suas mãos. Para ela, a adoção foi um caminho de fé, espera, renúncias e aprendizados, mas principalmente uma descoberta: o amor não depende apenas dos laços de sangue.
O sonho de ser mãe
Desde jovem, Thairine sempre teve o desejo de viver a maternidade. Ao descobrir que poderia enfrentar dificuldades para engravidar, começou a pensar em outros caminhos para realizar esse sonho.
“Eu pensei: se não for por meio da gravidez, que seja por meio da adoção”, contou.
Na busca por respostas, procurou um médico e recebeu o diagnóstico de endometriose, condição que poderia dificultar uma gravidez. Havia a possibilidade de realizar uma cirurgia invasiva e tentar uma fertilização, mas as chances de sucesso eram de aproximadamente 50%.
Diante dessa possibilidade, decidiu não seguir pelos tratamentos e escolheu iniciar o processo de adoção. Para ela, a decisão não representou uma perda ou uma frustração.
Anos depois, já durante o processo de adoção, uma conversa com seu médico de confiança trouxe uma surpresa: ela descobriu que não tinha endometriose. Mesmo assim, a decisão tomada anteriormente já havia mudado o rumo da sua história.
O caminho até a adoção
O processo começou quando Thairine procurou o Fórum e manifestou o desejo de adotar. A partir daí, iniciou uma preparação que envolve cursos, acompanhamento psicológico e avaliação social com profissionais especializados.
Somente após essa etapa os pretendentes ficam aptos a ingressar na fila de adoção.
A espera foi longa. Foram cinco anos aguardando uma oportunidade.
“Cheguei a pensar que não iria dar certo”, revelou.
Ela explica que, no momento do cadastro, os pretendentes podem escolher características da criança que desejam adotar, como idade, sexo, estado de origem e outras informações. Thairine optou por uma busca nacional, o que aumentou a posição na fila.
“Quando escolhi a nível nacional, minha posição na fila era enorme. Eu via como um sonho distante”, contou.
Segundo ela, um dos desafios do processo é que muitas famílias ainda procuram crianças pequenas, principalmente com até dois anos de idade. Com o passar do tempo, crianças maiores acabam tendo mais dificuldade para encontrar uma família.
As escolhas e as surpresas da vida
Um dos momentos mais marcantes para Thairine foi o preenchimento do formulário de adoção.
Ela conta que se sentiu incomodada ao precisar responder perguntas sobre características da criança que gostaria de adotar, como idade, sexo, cor ou condições de saúde.
“Quando a gente engravida é diferente. A gente não escolhe. É o que Deus mandar”, afirmou.
Para ela, a experiência mostrou que a maternidade vai muito além das características físicas ou biológicas.
“Minha filha veio com uma condição que eu não sabia, e ela é perfeita para mim, do jeito que era para ser.”
Thairine reforça que ser filho biológico ou adotivo não muda a essência da relação.
“O importante é a educação e o amor que você pode dar a eles.”
O encontro com Yasmin e Pedro
A ligação que mudou sua vida chegou de forma inesperada.
O Fórum entrou em contato informando que havia duas crianças disponíveis para adoção: um menino e uma menina, Pedro e Yasmin, na época com 5 e 7 anos.
Uma audiência online foi marcada com o juiz responsável pelo processo, quando Thairine recebeu informações sobre a história das crianças. Até aquele momento, ela ainda não tinha visto fotos.
Após a audiência, o juiz enviou as imagens.
Ao olhar para as fotos, a emoção tomou conta.
“Quando vi as fotos, disse: são os meus filhos.”
Ela conta que muitas pessoas imaginam que o processo de adoção funciona como uma escolha, como se os pais fossem até determinado local, olhassem as crianças e decidissem levá-las para casa.
Para Thairine, porém, a história foi diferente.
“Não fui eu que escolhi. Foi o Criador que escolheu.”
Hoje, olhando para a trajetória percorrida, ela entende que cada etapa teve um propósito. A espera, as dúvidas e os desafios fizeram parte da construção de uma família formada pelo amor.
Uma história que mostra que a maternidade pode nascer de diferentes formas, mas encontra sempre o mesmo lugar: o coração.
Fotos: Arquivo pessoal

Na foto o patriarca da família, Paulo Caneiro com os filhos Yasmin Gabriele, Pedro Carneiro, Pedro Henrique e esposa Thairine Bráz




