Roque Ferreira de Lima, morador de Nossa Senhora das Graças, completa 1 século de vida
Roque Ferreira de Lima, nascido em 30/03/1926, filho de Manoel Ferreira de Lima e Maria Honorata de Lima. O primeiro de 21 irmãos, caboclo sertanejo raiz, nascido e criado no interior da Caatinga na cidade de Bodocó, no estado de Pernambuco.
Na infância ali em Bodocó, ajudava seus pais, colhendo o que dava na lida, trabalhando no meio do sertão nordestino. Sua mãe, com muita disposição, planejava durante semana, a ida até a cidade. Caminhava até a feira para vender seus produtos e ajudar o marido nos mantimentos para casa.
Roque, mesmo nas dificuldades, não se lamentava. E ali quase um rapazinho, após a lida com roça, não tinha tempo para brincadeira, foi logo aprendendo a costurar. Na máquina de costura, começava a fabricar as calças e camisas para os irmãos e irmãs. E não parou por ai, durante sua jornada Nordestina, construiu com suas próprias mãos, cadeiras e mesas, com a madeira retirada da caatinga e o couro dos animais. Aprendeu também a tocar violão e arriscava umas notas na sanfoninha pé de bode. Onde tocava e cantava com seus irmãos ali na porta da casa do seus pais.
Ali na cidade de Bodocó Roque Ferreira de Lima, um bom rapaz, conhece sua amada, Expedita Ferreira de Souza. Com barro, fabrica os tijolos e as telhas, tirando do mato a madeira, ergueu com suas próprias mãos sua casa.
Sim, casou com Expedita, única esposa. Dessa união nasceram 14 filhos. Todos nascidos em Bodocó Pernambuco. Inicia ali sua vida conjugal, acreditando no plantio de uma seca que não tinha fim. Já cansado da lida sem esperança no sertão nordestino, devoto de São João Batista e Nossa Senhora Aparecida, homem de Fé, agarra-se na esperança de uma vida melhor para sua amada e seus filhos, fora do sertão.
Já se ouvia dizer que o Estado do Paraná era um lugar bom. Seus irmãos Genezio, Adezio, Antônio e Marina, resolvem pegar a estrada empoeirada, deixando ali com Roque a esperança de algo melhor. Após alguns anos resolve encontrar seus irmãos no Paraná. Em 1971 Roque, com 45 anos de vida, veio com o filho mais velho Francisco Ferreira para o Paraná.
Deixando ali seus pais e sua esposa com os filhos no sertão, para certificar que o que se dizia era garantido, disse a eles um até logo. Ao chegar no Paraná, encontrou seus irmãos já casados e com filhos. Um homem de mãos calejadas sem medo do trabalho na lida com roça, logo começou a trabalhar garantindo a passagem de volta para o sertão.
Sendo assim, volta ao sertão para levar a boa noticia aos seus pais e sua esposa. “Que o Paraná é lugar bom para se viver, que tudo que planta colhe”. Sua mãe, rapidamente organiza a mudança para o Paraná. Roque não havendo mais condições financeiras, disse a sua mãe que não conseguiria voltar. Sua mãe sai de Bodocó, estado de Pernambuco – no Sertão Nordestino, trazendo Roque e sua família junto. Foi em Nossa Senhora das Graças – PR, onde Roque e sua família recomeçaram sua história. Ali na estrada do 37 trabalhando de agregado conseguiram entre uma lavoura e outra a sobreviver longe do sertão nordestino.Viveu com sua esposa (hoje em memória) – seus 65 anos de casados. Expedita Ferreira de Souza falecida em 2021.
Homem de Deus e com uma Fé inabalável, traz no coração a gratidão, em agradecimento se reuni com a família e amigos, fazendo uma festa, que acontece até os dias de hoje, ensinando aos filhos, netos, bisnetos e tataranetos, a força da oração através do rosário rezado no dia de São João Batista, trazendo a queima da madeira, formando uma fogueira no quintal da sua casa.
Ao celebrar 100 anos de vida, deste senhor nordestino, filho da seca, este homem que trás no coração um século de resistência, trabalhador, honesto, íntegro e com grande sabedoria, exerce na sua vida, diversas funções, dentre elas: amigo, marido, pai, avô, bisavô, tataravô, agricultor, pedreiro, carpinteiro, marceneiro, costureiro e tocador de violão. Este homem é a própria definição de coragem e sabedoria, que se mantém de pé na simplicidade da vida, de quem sabe o verdadeiro valor dela.

